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Experiências de Turismo de Base Comunitária no Vale do Ribeira/SP

 

O papel das lideranças indígenas na organização do Turismo de Base Comunitária na Aldeia Guarani  MBYA PINDOTY, Vale do Ribeira, São Paulo, BRASIL.

Orientador: Alessandro De Oliveira Dos Santos
Docente Colaborador: Candido Vinícius Bocaiuva Barnsley Pessoa
Supervisora: Maria Regina Ribeiro Righetti


O presente projeto de pesquisa  tem como objetivos primordiais ampliar o envolvimento e parcerias entre professores, alunos e entidades educacionais e possibilitar o estudo pré-cientifico junto aos jovens  da Etec Eng° Agrº Narciso de Medeiros, sob a luz do conhecimento de professores, especialistas, mestres e doutores do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado de São Paulo. A pesquisa proposta será desenvolvida na Aldeia Guarani  MBYA PINDOTY, localizada no município de Pariquera-Açu,  no Vale do Ribeira/São Paulo, tendo como foco principal o  papel e a contribuição das lideranças indígenas na organização do Turismo de Base Comunitária, que já ocorre nesta comunidade a cerca de 10 anos.  Vale informar que esta pesquisa é um subprojeto do Projeto EXPERIÊNCIAS DE TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA NO VALE DO RIBEIRA, SÃO PAULO, BRASIL, a ser desenvolvido pela Escola Técnica de Iguape em parceria com o Instituto de Psicologia da USP no âmbito do Programa de Pré-Iniciação Científica da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo. Para a execução da pesquisa serão realizados  levantamento de dados bibliográficos, entrevistas, anotações, observações e principalmente visitas na Aldeia Guarani Mbya – Pindoty.
OBJETIVOS
- Identificar as formas de lideranças existentes e o aproveitamento das mesmas junto as atividades turísticas desenvolvidas na Aldeia Guarani Mbya – Pindoty.
- Demonstrar  a todos  os envolvidos no projeto a necessidade da participação política na construção de um modelo sustentável de turismo visando a melhoria da qualidade de vida  da população local;
  - Identificar quais os meios de transmissão e preservação da história e da cultura utilizados atualmente pelos indígenas;
- Oportunizar o estreitamento das relações entre pesquisadores e pesquisados por meio da investigação sobre o  turismo na aldeia guarani;
- Promover  a qualificação em atividades de pesquisa para professores e jovens de ensino médio e profissionalizante.

JUSTIFICATIVA
Os indígenas foram os primeiros recepcionistas  e hospedeiros do Brasil, tiveram também o importante papel como guia de turismo na “terra Brasilis” e se deixaram levar por gananciosos descobridores e com a persistência da bravura indômita de nossos ancestrais, foram em grande parte dizimados e espoliados. Talvez este seja um reconhecimento tardio ao oferecer-lhes respeitabilidade após sua  parcial destruição.
A Aldeia Guarani Mbya-Pindoty, localiza-se no município de Pariquera-Açú, vem se organizando para recepção de visitantes em parceria com os monitores ambientais da Associação Vidas Verdes (AVV) de Pariquera-Açú. Durante as visitas os turistas têm a oportunidade de aprender  sobre a história, cultura e modo de vida da comunidade e compreender os desafios para permanência dos índios no local e para conservação de sua cultura aliada à melhoria da qualidade de vida guarani.
O desenvolvimento de atividades em comunidades muitas vezes envolvem a escolha de um ou alguns representantes que possam organizar as formas de participação política no interior da comunidade, assim como representá-la em atividades políticas externas. Numa organização democrática, o papel destas lideranças não é o de comandar o grupo, mas geralmente o de organizar reuniões, buscar informações e ajudar a encaminhar decisões. Muitas vezes, a liderança é reconhecida pelo grupo em função de sua participação no processo de fundação da entidade comunitária ou de um movimento político ligado a ela (Gonçalves Filho, 1998), fato que lhe confere uma autoridade baseada na memória desta fundação, uma espécie de respeito do grupo apoiado no reconhecimento de um saber e de uma experiência acumulados. Nos processos comunitários, este reconhecimento não se traduz em obediência à liderança, mas inspira uma valorização e consideração de suas opiniões nos momentos de debate e de tomada de decisões.
Entre os Mbya, a liderança espiritual é exercida pelo Tamoi (avô, genérico) e seus auxiliares (yvyraija), podendo ser exercida também por mulheres Kunhã Karai. Atualmente, cada comunidade tem um chefe político, o cacique, ao qual estão subordinadas jovens lideranças para intermediar nas relações entre a comunidade indígena e os representantes do Estado e vários setores da sociedade civil. Até meados da década de 1990 era comum, entre os Mbya, o líder espiritual e religioso exercer também a chefia política na comunidade. Em períodos de muitas atribulações decorrentes do contato, como ocorre atualmente, esta prática é impossível, pois o líder espiritual precisa ser preservado (Fonte: site Instituto Sociambiental – ISA – Povos Indígenas no Brasil).
Na cultura indígena a liderança tem um papel fundamental para a tomada de decisão na comunidade, nesse sentido este projeto pretende investigar a importância do papel da liderança ou das lideranças guarani para o desenvolvimento do turismo na Aldeia Mbya-Pindoty, também como se formam estas lideranças, sua relação com os processos políticos no interior das comunidades e ainda compreender como ocorre o processo de tomada de decisão e participação dos membros para a prática do turismo de base comunitária. Além de diagnosticar o papel da liderança, analisar como a aldeia trabalha com o turismo torna-se fundamental para compreendermos a gestão do turismo em diferentes culturas. 
 
É importante destacar que o presente projeto faz parte do macroprojeto “EXPERIÊNCIAS DE TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA NO VALE DO RIBEIRA, SÃO PAULO, BRASIL” que será  desenvolvido dentro do Programa de Pré-Iniciação Científica da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), por meio de parceria entre o Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP e a Escola Técnica Engenheiro Narciso de Medeiros (Etec/Iguape) do Centro Paula Souza.

Metodologia
As investigações serão realizadas por meio de levantamento documental e bibliográfico, entrevistas e conversas na comunidade. As entrevistas serão elaboradas após leituras, formulação de questões levantadas pelo grupo de 8 alunos pesquisadores envolvidos, sob a supervisão de uma professora da Etec e um orientador, professor doutor do Instituto de Psicologia da USP.  As visitas à comunidade proporcionarão a compreensão, a crítica e desenvolvimento de atividades com melhor qualidade.
Para a realização do projeto de pesquisa estão previstos: encontros de orientação, supervisão e treinamento para: apresentação subprojeto e da aldeia guarani Mbya-Pindoty; planejamento e realização de pesquisa bibliográfica; planejamento e realização de visitas monitoradas ao Instituto de Psicologia e ao Campus da Cidade Universitária; planejamento e realização de trabalho de campo na aldeia guarani Mbya-Pindoty; análise dos dados coletados e redação de relatórios; planejamento e apresentação dos resultados obtidos na Etec/Iguape, aldeia guarani Mbya-Pindoty e Instituto de Psicologia; visitas monitoradas trimestrais ao Instituto de Psicologia e Campus da Cidade Universitária; visitas monitoradas trimestrais a aldeia guarani Mbya-Pindoty com a realização de observação de campo, entrevistas e apresentação dos resultados do estudo; redação de relatórios contendo as atividades e resultados do subprojeto e das pesquisas individuais de pré-ic realizada pelos alunos bolsistas da Etec/Iguape.
Os entrevistados serão esclarecidos dos objetivos e procedimentos do estudo, e caso aceitem participar, assinam um termo de consentimento em duas vias, uma delas entregue ao entrevistado e a outra arquivada pelo entrevistador (aluno bolsista de pré-iniciação científica).
No termo constam os direitos do entrevistado em relação ao material coletado como a garantia de sigilo e anonimato. O projeto será submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEPH) do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

 

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  • Item 5