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Práticas culturais e enraizamento: a perspectiva dos moradores do quilombo Ivaporunduva, no Vale do Ribeira/SP, sobre o turismo de base comunitária.

Orientador: Ricardo Casco
  Supervisor:João Batista Estevam


O referido projeto de pesquisa tem como proposta fazer um levantamento cultural na comunidade remanescente do quilombo de Ivaporunduva, localizada na cidade de Eldorado, Vale do Ribeira, estado de São Paulo, a fim de conhecer as tradições culturais que foram preservadas através das gerações, e a forma como as mesmas  auxiliam o desenvolvimento do turismo. Esta comunidade atua, há cerca de 7 anos, no segmento do ecoetnoturismo, ou seja, do turismo voltado para o conhecimento do modo de vida das comunidades tradicionais, aliado a conservação da natureza. A pesquisa pretende ainda possibilitar aos alunos da Etec conhecer a fundo esta realidade e utilizar-se dos aspectos positivos e negativos para aplicação em outras comunidades. A metodologia a ser aplicada no desenvolvimento do projeto, será dividida em duas etapas. A primeira será  feito um levantamento documental e bibliográfico sobre a comunidade de Ivaporunduva,  sua formação, cultura e tradições. A segunda etapa será realizada a observação de campo na referida comunidade,  levantando informações in loco sobre as condições de vida da comunidade, as formas de lazer e sociabilidade e de interação social e cultural entre os moradores e turistas.
Justificativa
Esta pesquisa faz parte de um projeto mais amplo denominado EXPERIÊNCIAS DE TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA NO VALE DO RIBEIRA, SÃO PAULO, BRASIL, que será realizado no âmbito do Programa de Pré-Iniciação Científica da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), por meio de parceria entre o Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP e a Escola Técnica Engenheiro Narciso de Medeiros (Etec/Iguape) do Centro Paula Souza.  As instituições parceiras já trabalharam juntas no projeto “Promoção de Direitos de Crianças e Jovens em Comunidades Turísticas”, realizado entre 2008 e 2009 com apoio do Ministério do Turismo e de diversas organizações da sociedade civil e do poder público. O projeto viabilizou a publicação do livro “Promovendo os direitos de mulheres, crianças e jovens de comunidades anfitriãs de turismo do Vale do Ribeira”, organizado por Martins, Santos e Paiva (2009), que visa subsidiar iniciativas de promoção e proteção dos direitos articuladas com a prevenção às DST/Aids e ao uso abusivo de álcool e outras drogas nas comunidades anfitriãs de turismo.
O Programa de Pré-Iniciação Científica visa apoiar projetos de pesquisa desenvolvidos nas diferentes unidades da USP, em parceria com escolas da rede pública de ensino médio e técnico, que possibilitem despertar o interesse de alunos pela atividade de pesquisa científica nos diferentes campos do saber, auxiliar a definição das áreas de interesse profissional dos mesmos e aproximar a Universidade do Sistema de Ensino Médio e Técnico. O trabalho é realizado mediante o oferecimento de formação complementar ao aluno e execução de atividades sistemáticas e rotineiras em locais que busquem a disseminação e desenvolvimento de conhecimento, incentivando, desta forma, o desenvolvimento  do espírito crítico e o amadurecimento do trato com diferentes metodologias adotadas em pesquisa científica.
O turismo desenvolvido na  comunidade de Ivaporunduva promove o atendimento de grupos de visitantes, principalmente escolas, para os quais são apresentadas palestras sobre temas específicos como a história e modo de vida dos quilombos e os conflitos socioambientais na região. Também são oferecidos serviços de alimentação, hospedagem, comercialização de artesanatos, passeios e jogos. O turismo é tratado como atividade de renda complementar da comunidade e a gestão da atividade realizada de forma coletiva.
Esta pesquisa se justifica pela  necessidade de se conhecer como a atividade de Turismo de Base Comunitária desenvolvida nesta comunidade vem colaborando para a valorização, preservação e/ou transformação das práticas culturais e o fortalecimento da identidade cultural, investigar ainda em que medida essa experiência envolve e sustenta processos de enraizamento mostrando se o desenvolvimento desta atividade econômica estimula ou não a organização de projetos profissionais comprometidos com a preservação da cultura local e a formação de uma identidade profissional engajada politicamente na construção de um modelo de turismo sustentável.
Também há a necessidade de se conhecer mais a atividade e os exemplos positivos da região, o que está dando certo, os principais desafios e o que realmente apresenta-se viável, tanto do ponto de vista da realidade da comunidade local como também do mercado turístico, a fim de fortalecer e multiplicar estas experiências.
Além disso, existe o interesse em aprofundar o estudo do tema “Turismo de Base Comunitária” no Curso de Turismo Receptivo oferecido na Escola Técnica Eng° Agr° Narciso de Medeiros (Iguape/SP), uma vez que a realidade do público atendido na Etec é de comunidades rurais, de baixa renda,  com a presença marcante de unidades de conservação,  nas quais encontram-se atrativos e recursos turísticos significativos como praias, cachoeiras, manguezais, cavernas, patrimônio histórico e arqueológico, além da cultura local, portanto áreas com grande potencial para a implantação de um turismo que possibilite a conservação dos recursos naturais aliadas à inclusão social e que promova o desenvolvimento local.
Objetivos
- Sistematizar os  conhecimentos culturais transmitidos através da oralidade e preservados nas referida comunidade, que são mantidos pelas crianças, jovens e adolescentes;
- Sistematizar as recomendações e lições aprendidas com essa experiência para que possam servir de modelos e/ou ser aplicadas em outras localidades da região e do país.
- Investigar a maneira como o  turismo pode trazer perspectivas para os moradores do quilombo, a fim de estruturar as futuras gerações.
-Promover qualificação em atividades de pesquisa para professores e jovens do ensino médio profissionalizante.
METODOLOGIA
Será formada uma equipe de 10 pessoas para o desenvolvimento da pesquisa, sendo um professor doutor do Instituto de Psicologia da USP que será o orientador da pesquisa e um professor da Etec que ficará responsável pela supervisão das atividades de pesquisa realizadas por 8 alunos bolsistas.
Primeira etapa: levantamento documental e bibliográfico sobre a comunidade de Ivaporunduva e temas como Cultura, Organizações Comunitária, Vale do Ribeira e Turismo de Base Comunitária.
Segunda Etapa: Observação de campo nas comunidades e entrevistas.
- Por meio da observação de campo pretende-se levantar informações sobre: as condições de vida,  tradições, cultura oral, práticas religiosas, formas de lazer e sociabilidade e de interação entre os moradores turistas;
- As entrevistas serão feitas com lideranças e moradores, com monitores ambientais e guias de turismo que trabalham nas comunidades e com profissionais de agências de turismo e de escolas que enviam visitantes.
- Haverá a apresentação do projeto junto à comunidade para que assim possam todos os interessados tomarem ciência do projeto.  
- Será realizada a seleção dos alunos para a escolha dos que irão participar do projeto.
- Haverá reunião semanal com os alunos bolsistas para sanar dúvidas, encaminhar estudos e para a elaboração de relatórios.
- Levantamento de material por parte do  orientador da Universidade de São Paulo e do supervisor com relação a realidade, a história e o cotidiano desta comunidade.
- Serão realizadas reuniões mensais entre o supervisor e orientador da USP para orientação do trabalho de pesquisa e de campo, além de capacitações para o supervisor e alunos.

 

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